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Quando as crianças pequenas frequentam um espaço coletivo, é comum aparecerem as mordidas no dia a dia. Elas são ruins para todos: os pais da criança mordida ficam tristes e bravos, os pais da criança que mordeu sentem-se  constrangidos, criança que foi mordida fica assustada e o colega que mordeu também. Muitas vezes pensamos que a criança que mordeu o fez de propósito, com intenção de machucar. Porém, não é verdade. Crianças pequenas se expressam de diversas formas, pois estão desenvolvendo a linguagem verbal.

A mordida é uma forma de expressão: podendo ser demonstração de  insegurança, ciúmes, euforia ou algo físico como fome, sono, dentes nascendo, ou ainda uma forma de carinho. Mesmo sendo parte da expressão da criança pequena, devemos intervir da melhor maneira possível. Entender que são crianças em crescimento e em processo de aprendizagem social, não julgar a educação familiar ou criar rótulos. É importante nesta hora serenidade, afeto e compreensão tanto para quem foi mordido ou para quem mordeu.

É preciso mostrar-se a criança como ponto de apoio, para que ela se sinta segura em buscar o adulto. Com isso ajudamos as crianças a ampliarem suas maneiras de se expressar. Por exemplo, quando identificamos que a criança de dois anos morde numa disputa de brinquedos. Explicamos a ela que poderia ter conversado com o colega ou ter pedido ajuda de um adulto, ao invés de morder. Podemos oferecer também almofadas, bichos de pelúcias para as crianças morderem, dessa forma elas exteriorizam o sentimento. Explicando sempre: “Você pode morder a almofada, apertá-la… Mas, o amigo não poderá morder, porque machuca, e eu não deixaria ninguém te morder também.” Existem hoje colares específicos para quem está na fase de morder, que ajudam a saciar essa necessidade biológica de morder.

Dicas práticas:

  • Lembrar que as duas crianças se assustam quando a mordida acontece;
  • Estar calmo e separar as crianças sem assustá-las ainda mais;
  • Lembrar que a criança pequena não morde por maldade e não necessariamente é uma forma de agressão;
  • Importante mostrar que a mordida machucou o amigo, que estamos tristes, mas de forma “explicativa” e não repreensiva.
  • É preciso entender que estas situações se repetem e que em grupo e com o auxilio do adulto podem diminuir.

É uma situação delicada, comum até os três anos de idade. É importante que não se marque pejorativamente uma criança que morde, que só quer se expressar e ser visto. Todos precisam de carinhos, todos precisam ser vistos, todos precisam de apoio.

POR THALITA GOMES

Pedagoga pela Universidade Federal do Paraná, pós-graduanda em Psicopedagogia pela Universidade Positivo. Atualmente Coordenadora Infantil e sócia da empresa Mamaworking. Experiência na educação Infantil foi professora, na escola Semeador do Saber, foi também voluntária no Instituto Ama. Participou de diversas oficinas na área de educação. Fez parte do projeto de pesquisa (2013-2014) Olhares sobre a escola, no Setor de Educação – UFPR. Atuou no Centro Acadêmico de Pedagogia – UFPR, sendo por um ano coordenadora geral. Participa do Fórum de Educação Infantil do Paraná (Feipar).